quando eu a conheci, entendi por que Alex Turner precisou metaforizar uma alma em um solo de guitarra.
talvez não exista arte terrestre capaz de traduzir o som da voz dela chegando aos meus ouvidos num final de quarta feira.
poucas coisas descrevem, mas Lennon e McCartney já cantaram:
“se você a visse, talvez a amaria também.”
ela tem olhos curiosos e um cabelo que se desenha ao vento
vê-la assim, tão de perto, me causou um transtorno ainda não diagnosticado pela medicina moderna.
ah, que bonito é ver o desenho das ideias dela colorindo um dia cinza e assimétrico.
da pra entender quando os irmãos Gallagher gritam que precisamos nos deixar levar.
se ela fosse minha… eu também gostaria de perseguir o sol.
numa semana qualquer, ela disse que afastaria as camas
quando eu não reconheci seu rock oitentista.
no fim, ela se foi como todas as coisas importantes vão,
sem aviso, sem cerimônia.
sobrou o baixo de John Taylor reverberando no peito,
lembrando que o coração também sabe fazer barulho
quando alguém parte antes da música acabar.
partitura da partida dela, 2025.