eco

tem vozes que me ecoam na cabeça por meses
as partes boas, as ruins
e os nomes carinhosos sussurrados numa tarde de terça
ou era quinta, não tenho certeza


que ironia lacaniana, eu diria
amar é dar o que não se tem a quem não quer


isso ecoa


os vazios de alguma partida
preenchem mais que um silêncio brusco
fiquei perdida algumas vezes
como quem pega um elevador
e fica meio perdida toda vez que a porta abre
se perguntando se é ali que devia descer


isso ecoa também


já desci no andar errado uma ou duas vezes
e fiquei esperando
até o elevador voltar
às vezes não volta, sabia?


ela não sabe que ela é feita de névoa e partida
e que ecoou em mim desde o primeiro dia
mas a partida
parece sempre mais alta que a chegada


e ainda hoje
sem correção
de forma crua
como quem aprende tarde demais
que eco não responde

ecoa.

eco (01/2026)

Deixe um comentário