
são as pequenas coisas que me constroem
coleciono detalhes sem perceber
não é muito, obviamente, mas é daqui
gosto do barulho da água fervendo
como se algum dia eu tivesse aprendido a esperar
acho que música ruim melhora no carro
talvez porque o mundo ali dentro faz menos barulho que eu
gosto dos passarinhos cantando quando acordo às cinco e quinze da manhã
mesmo nos dias em que eu queria dormir a vida inteira
o primeiro gole de vinho sempre amarra a boca
gosto de cheiros doces
a amburana tocada pelo sol
guardando no calor alguma lembrança que perdi no caminho
sou feita do miúdo
do mínimo
daquilo que quase passa batido
do mesmo jeito que eu passo por tanta coisa sem saber direito o porquê
são as pequenas coisas que me constroem
porque o que é grande sempre escapa das minhas mãos
e talvez eu só saiba viver assim
recolhendo migalhas de mundo para não desaparecer de vez
minimalista, 2025.
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