a casa traz o vento úmido da baía do Guajará,
observa Belém com suas onze molduras de luz

tocou Betânia, tocou Caetano, tocou Elis
as onze janelas me lembram saudade antiga
de quem vê o mundo como se os pedaços se fragmentassem
eu entendo essa saudade
porque tem dias que eu também fico assim,
cheia de paisagens
que eu ainda insisto em tentar nomear

às vezes acho que a gente ama
como quem abre todas as janelas de uma vez,
esperando que a brisa faça sentido
mas se o amor não se instala,
vira corrente de ar e lembrança sem corpo

toda casa tem uma janela que insiste
em lembrar quem não mora mais lá

olhei para a casa das onze janelas mais uma vez
e notei que talvez algumas janelas
nunca se fechem
porque tem ausências
que também respiram.

casa das onze janelas, Belém, 2025.

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