delírio da quinta hora

tenho andado com uma calmaria emprestada dos meus santos.

hoje tem festa, mas está frio.
tenho essa mania feia de buscar motivos para faltar
ou me atrasar.

aliás, meus atrasos estão ficando recorrentes.
acho que perdi o senso de pontualidade.
nem sei se um dia eu tive.

às vezes, a calmaria some.
meu coração acelera.
penso em quem vai estar lá.

sei lá… tem horas em que nossos olhares se cruzam no corredor
e eu fico me perguntando se, por algum devaneio festeiro,
você vai aparecer.

provável que não.

não faz mal.
mas que conste nos arquivos por aí:
seria bom se estivesse.

comprei roupas pra ir.
até acessórios.

será que tá bom assim?
eu não costumava me perguntar essas coisas.
céus… será esse teu efeito em mim?

juntei minhas últimas forças.
ultimamente tenho me sentido afundando na areia.
às vezes tento saltar.

dói os músculos.
a mente.
a coragem.
o orgulho.

não é legal parecer meio perdida o tempo todo.
meu corpo parece papel em brasa.
às vezes vejo pedaços se desprendendo
e sinto o cheiro da própria carne queimando.
meu estômago queima junto.

não sei qual a função de juntar palavras
mas parece beber água.
eu escrevo nos momentos mais improváveis
e, quando olho para baixo,
tem demônios nos meus pés tentando extinguir minhas últimas bênçãos.

tenho um compromisso às 19h.
outro às 22h30.

não queria estar lá.
mas consta nos arquivos que
não faria falta se eu não estivesse.

delírio da quinta hora (17/05/2019)

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