
na casa dela, todo mundo nasce e morre do M
como se a letra fosse uma linha do destino
costurada antes do nome
uma arritmia cósmica
uma montanha de dois picos
o destino correndo pelo vale desenhado
carregamos o mesmo traço
as mesmas sílabas até certo ponto
mas o espelho se quebra
e dobramos em esquinas diferentes
como quem segue para outros rumos e lugares
o M dela me ressoa como saudade
embora eu também o carregue cravado em mim
é como se eu não pudesse vê-lo
talvez por castigo
afinal uso pouco
meu M nasceu de uma única Maria
o dela atravessou mulheres que vieram antes
cada uma bordando a letra na seguinte
como quem entrega destino em silêncio
meu mundo nunca para no M
o dela sempre colide por lá
nossos caminhos começam no mesmo mar
mas as águas que me levam
são as mesmas que afogam ela
e é curioso a quebra
o que vem depois
nada
décima terceira letra (06/10/2025)
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