preciso te falar que, nos caminhos da vida, às vezes dou passos que me lembram os caminhos teus.
cruzo ruas com teu nome.
vejo teu rosto em arte abstrata nos muros da cidade.
decorei tua fala.
teu riso.
teu choro.
e, inconscientemente e quase inconvenientemente, tentei me separar de ti.
como se tivéssemos duas fases.
como se fôssemos matéria inerente.
eu te achei.
não em espírito, intelecto ou alma.
mas em rosto.
olhos.
e sorriso.
os olhos não dizem nada como diziam os teus.
e o sorriso não é insípido e cristalino tal como janela da alma, mas é bonito também.
o rosto, ah, o rosto, muito tem de ti.
me pego olhando e penso
céus, quando ela amar alguém, certamente esse alguém vai ser incrível.
nunca tive pretensão de me tornar esse alguém.
ela elogiou meu tênis, meus óculos, meu cabelo
e me mandou mensagem às 23h perguntando
ei, tá frio aí?
em algum momento, talvez, eu poderia ser incrível.
mas em qual momento ela seria você?
então me desfaço dos laços
e pinto um alvo de desgraça nas minhas costas.
não sou incrível, mas também não sou escória.
como dizer que os olhos dela só são tão meus por me lembrarem de ti?
caio na cova que eu mesmo abri
onde enterrei minhas esperanças.
e enterrei você também.
ela sorri pra mim quase que metodicamente.
levanta o rosto dos papéis, ajeita a camisa e sorri.
e eu sorrio de volta.
às vezes finjo que não é comigo.
mas nem poderia ser.
um dia ela vai amar alguém que seja incrível.
e eu, bom, eu ainda amo você.
que coisa é essa pensada na esquina acima da última mercearia? (08/07/2019)
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