o amor é um ato de devoção

o amor é um ato de devoção.
não existe contemporaneidade capaz de me convencer do contrário.

se lhe deposito amor, até teu carro perdido entre mil
numa loja de departamento ganha um brilho singular.
reconheceria o repouso da tua taça de vinho numa mesa alheia
e tua voz, entre tantas outras,
cantaria meu nome na frequência que só em mim ressoa.

o amor é um ato de devoção.
e sou devota aos teus olhos, à tua boca, às tuas ideias,
como sou devota aos meus santos.
a doutrina é simples demais de contrariar:
não existe pecado, nem confissão entre nós.

não quero outros cânticos ao pé do meu ouvido
que não aqueles que entoei na tua procissão.

sou devota aos desejos eclesiásticos do teu ser,
como quem acende velas em promessa antiga.

carrego tua imagem no peito,
pendida num escapulário.

já não me confesso com pressa
nem espero absolvição pronunciada.

minha penitência é a tua falta.
a falta da devoção que tua santidade nunca me louvou.

o amor é um ato de devoção, 01/09/2025.

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